Conta de luz pode subir mais de 20% durante este ano
As razões para esse aumento, muito acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) previsto para o ano, são a falta de chuvas, que levou ao acionamento de usinas térmicas.
Publicado em 17 de março de 2018
Em um ano de inflao baixa, a conta de luz deve ter um peso extra no bolso dos consumidores. Segundo estimativas da Agncia Nacional de Energia Eltrica (Aneel), o reajuste mdio nas contas ficar acima de 10% este ano. Em alguns casos, a alta deve superar a casa dos 20%
As razes para esse aumento, muito acima do ndice Nacional de Preos ao Consumidor Amplo (IPCA) previsto para o ano, so a falta de chuvas, que levou ao acionamento de usinas trmicas, muito mais caras que as hidreltricas, mas tambm os subsdios embutidos na conta de luz, que no param de crescer, e segundo executivos do setor, erros de planejamento.
De acordo com Romeu Rufino, presidente da agncia, os aumentos da conta de energia devem ter comportamento semelhante aos autorizados para os clientes fluminenses da Light e Enel Rio. Nesta semana, a Aneel autorizou um aumento tarifrio mdio de 10,36% nas tarifas da Light, que atende a cidade do Rio e outros 30 municpios do Estado. Na Enel Rio, que fornece energia para Niteri e outras 66 cidades fluminenses, a alta, em mdia, foi de 21,04%.
A diferena entre os ndices autorizados para cidades to prximas tem explicao. Na Light, houve reajuste ordinrio, que feito todos os anos. J para a Enel Rio foi realizada a reviso tarifria, processo que realizado de quatro em quatro anos para manter o equilbrio econmico-financeiro dos contratos. Nas revises, as empresas so reembolsadas por investimentos feitos na expanso da rede e na melhoria dos servios. Segundo Rufino, os consumidores, de forma geral, devem esperar comportamento semelhante ao verificado nos casos da Light e da Enel Rio.
Os reajustes anuais devem ser da ordem de 10%. o caso de empresas como Eletropaulo (So Paulo) e Copel (Paran), por exemplo. Mas, para aqueles atendidos pelo grupo de empresas que vo passar por reviso tarifria, a alta deve ser de cerca de 20% - caso da Cemig (Minas), RGE Sul (Rio Grande do Sul) e Energisa (em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), entre outras.
Gesto
Diversos fatores explicam o aumento, mas h uma avaliao de que falhas cometidas na gesto do setor eltrico no passado tm causado impacto nas tarifas at hoje. O presidente da Empresa de Pesquisa Energtica (EPE), Luiz Barroso, lembra que principalmente nos ltimos anos da gesto Dilma Rousseff foram realizados leiles para contratao de novas usinas e linhas em nvel bem acima do necessrio, por conta da recesso. Segundo ele, somente no ano passado o consumo de energia voltou aos patamares registrados em 2014.
"Perdemos trs anos de crescimento por causa da recesso. Parte desses custos da tarifa hoje serve para pagar reforos nos sistemas de gerao e transmisso que vieram para atender a um mercado que no se concretizou", afirmou Barroso.
O secretrio executivo do Ministrio de Minas e Energia (MME), Paulo Pedrosa, reconhece que o aumento tarifrio desagrada populao, mas reafirma que o governo no adotar nenhuma medida intervencionista para maquiar os preos. "J se enganou muito o consumidor a respeito do custo da energia. Infelizmente, s agora a verdade apareceu", afirmou.
Regional
Rufino, da Aneel, faz fortes crticas aos subsdios, cobrados por meio de encargos setoriais. Os subsdios vo custar R$ 18 bilhes neste ano, 30% mais que no ano passado, e sero integralmente pagos pelos clientes. Isso significa que o consumidor residencial paga uma conta mais cara para que seja possvel oferecer descontos para agricultores, irrigantes, produtores de carvo, geradores de energias renovveis, alm de distribuidoras no Norte, que utilizam termoeltricas a diesel e leo combustvel. "Todas as empresas j esto condenadas a um aumento de 2,5 pontos porcentuais por conta dos encargos setoriais. Os subsdios no param de crescer e j tm peso de 20% nas tarifas", disse Rufino.
O presidente da Aneel destacou ainda que, alm da seca, que reduziu o uso de hidreltricas e levou ao acionamento das termoeltricas, mais caras, a deciso do governo Temer de cobrar bnus de outorga das usinas que foram licitadas tambm elevou os custos de gerao, pois as empresas que compram os empreendimentos em leilo repassam essa cobrana tarifa final. "S o leilo das usinas da Cemig teve impacto de 1 ponto porcentual nas tarifas."
Pedrosa, do MME, admite que isso encarece as tarifas, mas disse que parte do ganho vai gerar abatimentos futuros na conta de luz. Ele destacou que a pasta enviou Casa Civil um projeto de lei com o novo modelo do setor eltrico, que busca resolver passivos do passado, reduzir o peso dos subsdios e promover a competio e a eficincia no setor.
As razes para esse aumento, muito acima do ndice Nacional de Preos ao Consumidor Amplo (IPCA) previsto para o ano, so a falta de chuvas, que levou ao acionamento de usinas trmicas, muito mais caras que as hidreltricas, mas tambm os subsdios embutidos na conta de luz, que no param de crescer, e segundo executivos do setor, erros de planejamento.
De acordo com Romeu Rufino, presidente da agncia, os aumentos da conta de energia devem ter comportamento semelhante aos autorizados para os clientes fluminenses da Light e Enel Rio. Nesta semana, a Aneel autorizou um aumento tarifrio mdio de 10,36% nas tarifas da Light, que atende a cidade do Rio e outros 30 municpios do Estado. Na Enel Rio, que fornece energia para Niteri e outras 66 cidades fluminenses, a alta, em mdia, foi de 21,04%.
A diferena entre os ndices autorizados para cidades to prximas tem explicao. Na Light, houve reajuste ordinrio, que feito todos os anos. J para a Enel Rio foi realizada a reviso tarifria, processo que realizado de quatro em quatro anos para manter o equilbrio econmico-financeiro dos contratos. Nas revises, as empresas so reembolsadas por investimentos feitos na expanso da rede e na melhoria dos servios. Segundo Rufino, os consumidores, de forma geral, devem esperar comportamento semelhante ao verificado nos casos da Light e da Enel Rio.
Os reajustes anuais devem ser da ordem de 10%. o caso de empresas como Eletropaulo (So Paulo) e Copel (Paran), por exemplo. Mas, para aqueles atendidos pelo grupo de empresas que vo passar por reviso tarifria, a alta deve ser de cerca de 20% - caso da Cemig (Minas), RGE Sul (Rio Grande do Sul) e Energisa (em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), entre outras.
Gesto
Diversos fatores explicam o aumento, mas h uma avaliao de que falhas cometidas na gesto do setor eltrico no passado tm causado impacto nas tarifas at hoje. O presidente da Empresa de Pesquisa Energtica (EPE), Luiz Barroso, lembra que principalmente nos ltimos anos da gesto Dilma Rousseff foram realizados leiles para contratao de novas usinas e linhas em nvel bem acima do necessrio, por conta da recesso. Segundo ele, somente no ano passado o consumo de energia voltou aos patamares registrados em 2014.
"Perdemos trs anos de crescimento por causa da recesso. Parte desses custos da tarifa hoje serve para pagar reforos nos sistemas de gerao e transmisso que vieram para atender a um mercado que no se concretizou", afirmou Barroso.
O secretrio executivo do Ministrio de Minas e Energia (MME), Paulo Pedrosa, reconhece que o aumento tarifrio desagrada populao, mas reafirma que o governo no adotar nenhuma medida intervencionista para maquiar os preos. "J se enganou muito o consumidor a respeito do custo da energia. Infelizmente, s agora a verdade apareceu", afirmou.
Regional
Rufino, da Aneel, faz fortes crticas aos subsdios, cobrados por meio de encargos setoriais. Os subsdios vo custar R$ 18 bilhes neste ano, 30% mais que no ano passado, e sero integralmente pagos pelos clientes. Isso significa que o consumidor residencial paga uma conta mais cara para que seja possvel oferecer descontos para agricultores, irrigantes, produtores de carvo, geradores de energias renovveis, alm de distribuidoras no Norte, que utilizam termoeltricas a diesel e leo combustvel. "Todas as empresas j esto condenadas a um aumento de 2,5 pontos porcentuais por conta dos encargos setoriais. Os subsdios no param de crescer e j tm peso de 20% nas tarifas", disse Rufino.
O presidente da Aneel destacou ainda que, alm da seca, que reduziu o uso de hidreltricas e levou ao acionamento das termoeltricas, mais caras, a deciso do governo Temer de cobrar bnus de outorga das usinas que foram licitadas tambm elevou os custos de gerao, pois as empresas que compram os empreendimentos em leilo repassam essa cobrana tarifa final. "S o leilo das usinas da Cemig teve impacto de 1 ponto porcentual nas tarifas."
Pedrosa, do MME, admite que isso encarece as tarifas, mas disse que parte do ganho vai gerar abatimentos futuros na conta de luz. Ele destacou que a pasta enviou Casa Civil um projeto de lei com o novo modelo do setor eltrico, que busca resolver passivos do passado, reduzir o peso dos subsdios e promover a competio e a eficincia no setor.
Fonte: Bruna Casali / JornalismoBarrilFM com informações CP
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