A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) solicitou formalmente uma intervenção do governo federal para frear o que classifica como "abusos" no preço do óleo diesel. Segundo o presidente da entidade, Wallace Landim, o valor médio do combustível saltou de R$ 6,50 para R$ 7,50, atingindo a marca de R$ 8,00 por litro em localidades específicas. O cenário é considerado crítico pela categoria, que se encontra em pleno período de escoamento da safra agrícola.
Além da escalada de preços, Landim alertou para uma situação ainda mais grave: o risco de desabastecimento. De acordo com o dirigente, estados do Centro-Oeste e do Sul do país já registram falta pontual de diesel em alguns postos.
A Abrava atribui a alta à volatilidade do petróleo no mercado internacional, mas ressalta que a falta de uma regulação mais rígida tem permitido aumentos injustificados que impactam diretamente o custo do frete e, consequentemente, o preço dos alimentos.
Demandas e fiscalização
A entidade defende que o governo acione os órgãos de controle para estabilizar o mercado:
Atuação do CADE: Investigação de possíveis práticas de cartel ou lucros excessivos no setor de distribuição e revenda.
Fiscalização da ANP: Monitoramento rigoroso para assegurar a oferta do produto e evitar que postos retenham estoque à espera de novos aumentos.
A Abrava argumenta que o custo do transporte é um componente central da inflação e que o setor produtivo não suportará a pressão dos preços atuais durante o pico da colheita.
Reflexos na região
A preocupação manifestada pela Abrava encontra eco em polos agrícolas como a região do Médio Alto Uruguai e o Noroeste gaúcho, onde o fluxo de caminhões para o escoamento de grãos é intenso nesta época do ano.
O aumento no diesel eleva o custo logístico dos produtores rurais, reduzindo a margem de lucro no campo e pressionando os transportadores autônomos.