A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou nesta quarta-feira, 1º de abril, que a companhia estuda viabilizar a autossuficiência brasileira na produção de óleo diesel em um prazo de cinco anos. Atualmente, o país depende da importação de cerca de 30% do combustível utilizado por caminhões, ônibus e maquinário agrícola.
Durante evento em São Paulo, a executiva detalhou que o plano de negócios original previa cobrir 80% da demanda, mas a meta está sendo reavaliada para atingir a totalidade do consumo nacional.
O novo planejamento estratégico da estatal começará a ser discutido em maio, com previsão de divulgação oficial para o mês de novembro.
Expansão de refinarias e foco na produção nacional diante de crise global
A estratégia para elevar a oferta de diesel baseia-se na ampliação e modernização de unidades existentes. Entre as ações citadas, destaca-se a expansão da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, que deverá saltar de 230 mil para 300 mil barris diários.
No Rio de Janeiro, a integração da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) ao Complexo de Energias Boaventura projeta elevar a capacidade para 350 mil barris por dia. Além disso, quatro refinarias em São Paulo passam por adaptações para priorizar o diesel em detrimento do óleo combustível.
Segundo Chambriard, o foco no diesel é essencial para o desenvolvimento nacional, impulsionando simultaneamente a produção de gasolina.
Impactos da guerra no Irã e medidas governamentais sobre os preços
A urgência na ampliação da capacidade produtiva ocorre em meio à instabilidade no mercado global de energia. Desde o início do conflito no Irã, em 28 de fevereiro, o preço do diesel S10 no Brasil registrou alta de 23%, influenciado pela cotação do barril tipo Brent, que superou a marca de US$ 101.
Para mitigar os impactos ao consumidor, o governo federal zerou alíquotas de tributos como PIS e Cofins e negocia subsídios junto aos estados. Paralelamente, outros derivados seguem em alta, como o querosene de aviação (QAV), que sofreu reajuste de 55% nesta quarta-feira, pressionando os custos operacionais do setor aéreo.
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