A chuva deu uma trégua nesta quinta-feira (23), mas os reflexos do grande volume de água que caiu nos últimos dias ainda preocupam no Rio Grande do Sul. Agora, a atenção está voltada para o Guaíba, que deve continuar subindo e alcançar a cota de alerta entre sexta-feira (24) e sábado (25).
Segundo o professor Fernando Dornelles, do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, a previsão é de que o nível do Guaíba fique entre 2,50 e 2,60 metros na régua do Cais Mauá, em Porto Alegre. Com esse nível, já podem ocorrer alagamentos, principalmente nas ilhas da Capital.
Enquanto isso, o Rio Taquari, que atingiu o pico da cheia em Lajeado nesta quinta-feira, começou a baixar. A enchente foi provocada pelas fortes chuvas registradas nas cidades onde nascem os rios que formam a bacia do Taquari, como Ibirapuitã, Paraí e Marau.
Já no Rio Jacuí, a situação é diferente. A água leva mais tempo para chegar ao Guaíba e perde força ao longo do percurso, o que reduz os impactos da cheia.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) e a Defesa Civil seguem acompanhando a situação em diferentes regiões do Estado. Nas bacias dos rios dos Sinos e Gravataí, existe risco de os níveis se aproximarem da cota de inundação, principalmente nos municípios de Montenegro e Nova Santa Rita.
No Vale do Taquari, o alerta continua para cidades como Muçum, Taquari, Bom Retiro do Sul, Arroio do Meio, Lajeado, Roca Sales, Cruzeiro do Sul, Santa Tereza, Estrela e Encantado, que ainda podem registrar novos alagamentos.
O monitoramento também continua na Região Metropolitana, no Vale do Rio Pardo e na Serra, onde rios e arroios seguem com níveis elevados.
Nova chuva está sendo monitorada
A previsão indica a volta da chuva no início da próxima semana. Até o momento, os modelos não apontam para uma nova enchente de grandes proporções, mas a situação ainda pode mudar.
Outro fator que preocupa é que o solo permanece encharcado. Isso significa que, se voltar a chover forte, a água terá mais dificuldade para ser absorvida, fazendo com que rios e arroios subam mais rapidamente.
Por isso, o Serviço Geológico do Brasil recomenda que a população acompanhe os avisos da Defesa Civil e as atualizações sobre a situação dos rios nos próximos dias.