As exportações brasileiras de frutas frescas registraram desempenho histórico no primeiro semestre de 2026, alcançando os maiores volumes e receitas da série histórica. Entre janeiro e junho, o país embarcou 619 mil toneladas de frutas, com faturamento de US$ 709 milhões, alta de 21% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os dados são do levantamento Radar Agro Balança Comercial – Frutas Exportações, elaborado pela consultoria Agro Itaú BBA com base nas estatísticas do Comex Stat. Enquanto as exportações cresceram de forma expressiva, as importações permaneceram praticamente estáveis, somando US$ 476 milhões, avanço de apenas 4%.
O bom resultado foi impulsionado principalmente pelo desempenho da manga, além do crescimento das exportações de melancia, limões e limas, melões e pela recuperação das vendas externas de maçã.
A manga liderou o ranking das frutas exportadas, com receita de US$ 143 milhões, seguida pelos limões e limas (US$ 105 milhões) e pelos melões (US$ 98 milhões). O Vale do São Francisco, entre Bahia e Pernambuco, segue como principal polo exportador da fruta, que apresentou crescimento de 42% em receita e de 38% em volume.
Outro destaque foi o abacate, que registrou um dos maiores avanços do período, com aumento de 73% no faturamento, chegando a US$ 67 milhões, e crescimento de 93% no volume embarcado. Segundo a análise do Itaú BBA, a expansão da produção nacional, a entrada em produção de novos pomares e o aumento da oferta da variedade Hass contribuíram para esse desempenho.
Rio Grande do Sul lidera exportações de maçã
A recuperação das exportações de maçã também chamou atenção no primeiro semestre. A receita com a fruta cresceu 223%, alcançando US$ 44 milhões, enquanto o volume embarcado aumentou 225%.
O Rio Grande do Sul respondeu por cerca de 80% das exportações brasileiras de maçã neste ano. Das 42 mil toneladas embarcadas pelo país, aproximadamente 33 mil toneladas tiveram origem no Estado.
Segundo a Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi), o resultado representa uma retomada importante após quatro anos marcados por eventos climáticos que reduziram, em média, pela metade o potencial produtivo dos pomares gaúchos.
Atualmente, a Índia é o principal destino da maçã produzida no Estado, seguida por países do Oriente Médio, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Já o mercado russo perdeu espaço em razão da guerra entre Rússia e Ucrânia.
Perspectiva positiva para o restante do ano
De acordo com o Itaú BBA, a expectativa para o segundo semestre é de manutenção do ritmo de crescimento das exportações brasileiras.
Tradicionalmente, esse período concentra os embarques de frutas como manga, uva, melão e melancia. A combinação entre maior oferta, sazonalidade favorável e demanda internacional aquecida deve sustentar os resultados positivos.
A consultoria também avalia que a abertura de novos mercados, especialmente na Ásia, e o avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia tendem a ampliar as oportunidades para a fruticultura brasileira nos próximos anos.
No primeiro semestre, os Países Baixos foram o principal destino das frutas brasileiras, concentrando 41% das exportações. Na sequência aparecem Reino Unido (14%), Espanha (12%), Estados Unidos (6%) e Portugal (5%).
Ranking das frutas com maior receita nas exportações
- Manga – US$ 143 milhões;
- Limões e limas – US$ 105 milhões;
- Melões – US$ 98 milhões;
- Outras frutas preparadas ou conservadas – US$ 82 milhões;
- Abacates – US$ 67 milhões;
- Melancias – US$ 58 milhões;
- Maçãs – US$ 44 milhões;
- Mamões – US$ 41 milhões;
- Uvas – US$ 20 milhões.
- Outras (congeladas): US$ 15 milhões