Cerca de 500 mil presos não estão cadastrados em banco de mandados
Objetivo é organizar dados que viabilizem melhor planejamento do sistema carcerário no país
Publicado em 05 de maio de 2018
Todas as pessoas privadas de liberdade no Brasil devem ser cadastradas no Banco Nacional de Mandados de Priso (BNMP) at o dia 30 de maio. A recomendao do Conselho Nacional de Justia (CNJ) e tem o objetivo de organizar dados que viabilizem melhor planejamento do sistema carcerrio no pas. At agora, contudo, apenas 211 mil presos de um universo de mais de 726 mil foram cadastrados.
Segundo o CNJ, apenas sete estados j registraram as informaes de 100% de suas populaes carcerrias: Acre, Alagoas, Amap, Gois, Piau, Roraima e Sergipe. Os dados consideram os cadastros feitos at o meio-dia desta quinta-feira.
Brasil
O bando foi criado em 2011, mas em 2016 ganhou uma nova verso e incentivo. A mudana foi uma das respostas crise do sistema penitencirio, pois, por meio dos dados, o CNJ pretende obter maior eficincia gesto de polticas pblicas para o sistema prisional, com monitoramento das ordens de priso e soltura em mbito nacional e em tempo real.
Para o professor da Pontifcia Universidade Catlica do Rio Grande do Sul e membro do Frum Brasileiro de Segurana Pblica, Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, atualmente a situao das informaes sobre o sistema prisional no Brasil "muito precria". Ele disse que o controle dos dados est a cargo do Departamento Penitencirio Nacional (Depen), rgo vinculado ao Ministrio da Justia (MJ), e cita que mesmo uma informao bsica como o nmero da populao atualizada com um intervalo de pelo menos um ano.
"A prpria falta de atualizao acaba fazendo com que os dados que so publicados no tenham muita efetividade do ponto de vista da gesto, j que expressam uma realidade que no a do momento, e com isso no permitem tambm uma viso de mdio prazo sobre o sistema. importantssimo que essa iniciativa seja de fato implementada porque ela talvez possa vir a suprir essa necessidade", afirmou.
Questionado sobre se a sistematizao das informaes pode levar ampliao do nmero da populao carcerria, j que h mais de 500 mil mandados de priso em aberto no pas, o professor avaliou que isso "possvel". O Brasil j o terceiro pas com a maior populao carcerria do mundo. Segundo Azevedo, se esses mandados fossem efetivados, levariam a um "total colapso."
Diante desse quadro, Ghiringhelli de Azevedo acredita que, mais que reforar o apelo s prises, isso pode "permitir que se pense na irracionalidade desse modelo, porque na medida em que se mostra a situao de colapso e a inviabilidade da resposta para certos delitos que so encaminhados para priso - furto e crimes relacionados ao mercado do varejo da droga, que o pequeno traficante - isso pode trazer tambm a possibilidade de chegar concluso que o modelo insustentvel e se possa pensar na maior utilizao de alternativas penais e outros mecanismos." Para ele, o que a organizao de dados pode mudar de imediato a situao das prises provisrias.
Atualmente, cerca de 40% da populao carcerria formada por presos que sequer foram julgados na primeira instncia. Muitos acompanham os processos de forma precria ou mesmo no acompanham, por no contarem com advogados ou defensores.
"So situaes onde o indivduo no foi condenado, embora ele tenha passado boa parte do tempo cumprindo uma pena antecipada e em condies absolutamente inadequadas. Isso permite que se demonstre a absoluta inviabilidade do nmero de presos", aponta.
Do total cadastrado at aqui, 117.310 so presos condenados e 104.806, provisrios, conforme o CNJ. A Agncia Brasil procurou o Conselho Nacional de Justia para discutir o tema, mas foi informada de que os responsveis pelo projeto no estavam disponveis para entrevistas por problemas de agenda.
Segundo o CNJ, apenas sete estados j registraram as informaes de 100% de suas populaes carcerrias: Acre, Alagoas, Amap, Gois, Piau, Roraima e Sergipe. Os dados consideram os cadastros feitos at o meio-dia desta quinta-feira.
Brasil
O bando foi criado em 2011, mas em 2016 ganhou uma nova verso e incentivo. A mudana foi uma das respostas crise do sistema penitencirio, pois, por meio dos dados, o CNJ pretende obter maior eficincia gesto de polticas pblicas para o sistema prisional, com monitoramento das ordens de priso e soltura em mbito nacional e em tempo real.
Para o professor da Pontifcia Universidade Catlica do Rio Grande do Sul e membro do Frum Brasileiro de Segurana Pblica, Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, atualmente a situao das informaes sobre o sistema prisional no Brasil "muito precria". Ele disse que o controle dos dados est a cargo do Departamento Penitencirio Nacional (Depen), rgo vinculado ao Ministrio da Justia (MJ), e cita que mesmo uma informao bsica como o nmero da populao atualizada com um intervalo de pelo menos um ano.
"A prpria falta de atualizao acaba fazendo com que os dados que so publicados no tenham muita efetividade do ponto de vista da gesto, j que expressam uma realidade que no a do momento, e com isso no permitem tambm uma viso de mdio prazo sobre o sistema. importantssimo que essa iniciativa seja de fato implementada porque ela talvez possa vir a suprir essa necessidade", afirmou.
Questionado sobre se a sistematizao das informaes pode levar ampliao do nmero da populao carcerria, j que h mais de 500 mil mandados de priso em aberto no pas, o professor avaliou que isso "possvel". O Brasil j o terceiro pas com a maior populao carcerria do mundo. Segundo Azevedo, se esses mandados fossem efetivados, levariam a um "total colapso."
Diante desse quadro, Ghiringhelli de Azevedo acredita que, mais que reforar o apelo s prises, isso pode "permitir que se pense na irracionalidade desse modelo, porque na medida em que se mostra a situao de colapso e a inviabilidade da resposta para certos delitos que so encaminhados para priso - furto e crimes relacionados ao mercado do varejo da droga, que o pequeno traficante - isso pode trazer tambm a possibilidade de chegar concluso que o modelo insustentvel e se possa pensar na maior utilizao de alternativas penais e outros mecanismos." Para ele, o que a organizao de dados pode mudar de imediato a situao das prises provisrias.
Atualmente, cerca de 40% da populao carcerria formada por presos que sequer foram julgados na primeira instncia. Muitos acompanham os processos de forma precria ou mesmo no acompanham, por no contarem com advogados ou defensores.
"So situaes onde o indivduo no foi condenado, embora ele tenha passado boa parte do tempo cumprindo uma pena antecipada e em condies absolutamente inadequadas. Isso permite que se demonstre a absoluta inviabilidade do nmero de presos", aponta.
Do total cadastrado at aqui, 117.310 so presos condenados e 104.806, provisrios, conforme o CNJ. A Agncia Brasil procurou o Conselho Nacional de Justia para discutir o tema, mas foi informada de que os responsveis pelo projeto no estavam disponveis para entrevistas por problemas de agenda.
Fonte: Bruna Casali / JornalismoBarrilFM com informações EBC
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