Tabelamento de frete pode levar à formação de cartel, aponta Cade
Michel Temer afirmou que parecer da autarquia não atrapalha resolução definitiva da crise dos caminhoneiros
Publicado em 19 de junho de 2018
O Conselho Administrativo de Defesa Econmica (Cade) se manifestou contrrio criao de uma tabela com os valores mnimos a serem cobrados pelo frete do transporte rodovirio de cargas. Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a autarquia sustenta que o tabelamento do frete limita a concorrncia, prejudicando a sociedade e criando uma espcie de cartel no setor. O Cade, que vinculado ao Ministrio da Justia, tambm argumenta que o tabelamento infringe a ordem econmica, j tendo sido condenado em outros segmentos, como a prestao de servios mdicos.
Na avaliao do rgo, ao estipular um custo padro mnimo para todo o servio de frete, a Agncia Nacional de Transportes Terrestres (Antt) desconsidera as especificidades do setor, permitindo que todos os caminhoneiros autnomos e empresas que tenham custos inferiores ao determinado pela norma possam lucrar com a diferena.
Ao considerar as possveis consequncias da interveno estatal na economia, o Cade lembra que diversos planos econmicos prevendo o tabelamento de preos e a interveno direta dos mais variados tipos no foram capazes de reequilibrar fatos naturalmente dinmicos.
Segundo o Cade, esse "descompasso com a realidade pode causar srios problemas de desabastecimento, em razo de sinalizaes equivocadas". No caso especfico do transporte de cargas, a autarquia aponta os riscos de que o estabelecimento de um preo mnimo reduza a liberdade contratual entre as partes e aumente os custos ao longo de toda a cadeia produtiva, sendo, ao fim, repassado ao consumidor final. Tambm h riscos de reduo da competitividade e desistmulo inovao concorrencial, com a consequente perda de qualidade dos servios.
"Assim, o entendimento consolidado do Cade, estvel em diversas composies de seu tribunal, a de que o tabelamento de preo constitui uma infrao ordem econmica passvel de condenao", sustenta os autores do ofcio, assinado pelo presidente da autarquia, Alexandre Barreto de Souza, alm do superintendente-geral e do procurador-chefe do rgo.
O Cade tambm entende haver um risco real de que, se aprovada, a tabela gere um risco para os prprios caminhoneiros, seja ampliando o risco dos clientes optarem por assumir eles mesmos o transporte de cargas, seja por um grande nmero de caminhoneiros decidir no seguir a tabela, criando distores dentro da prpria categoria, com os cumpridores da norma perdendo em competitividade.
Tabelamento
A manifestao do Cade uma resposta ao pedido de informaes feito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, relator das aes que questionam a resoluo da Agncia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que tabelou os preos mnimos de fretes para o transporte rodovirio.
Na quinta-feira, Fux atendeu a uma solicitao da Advocacia-Geral da Unio (AGU) e determinou a suspenso de todas as 53 aes contestatrias at que o STF julgue as trs aes de inconstitucionalidade protocoladas pela Associao do Transporte Rodovirio de Carga Do Brasil, Confederao da Agricultura e Pecuria do Brasil (CNA) e a Confederao Nacional da Indstria (CNI).
O tabelamento foi uma das reivindicaes de caminhoneiros atendidas pelo governo federal, no fim do ms passado, para tentar pr fim paralisao que durou 11 dias e afetou diversos setores da economia. Desde ento, o governo j editou duas tabelas de frete.
A primeira foi publicada no Dirio Oficial da Unio de dia 30 de maio e vigorou at 7 de junho, quando foi editada a segunda verso da tabela. Esta, no entanto, permaneceu vlida por apenas algumas horas, j que, na prtica, acabou sendo suspensa pela ANTT no mesmo dia. As duas primeiras tabelas so alvos da disputa de interesses entre caminhoneiros e representantes do setor produtivo.
De um lado, donos de transportadoras rodovirias e caminhoneiros autnomos se queixam de que os valores atualmente pagos pelo frete mal cobrem os custos das viagens, como combustvel, pedgio, alimentao e manuteno do veculo. De outro lado, empresrios de outros segmentos, principalmente o agropecurio, alegam que o estabelecimento de um valor mnimo para o frete limita a concorrncia e aumenta os custos de transporte de cargas.
A primeira verso contemplava os interesses dos caminhoneiros ainda em greve, estabelecendo um valor mnimo de frete a partir do qual os autnomos pudessem negociar com as empresas transportadoras o valor dos servios. J a segunda verso, ao reduzir o valor do frete, agradou mais ao setor produtivo.
Vamos esperar o STF decidir, diz Temer sobre tabela
O presidente Michel Temer considera que o parecer contrrio do Conselho Administrativo de Defesa Econmica (Cade) ao tabelamento do frete rodovirio, no atrapalha a resoluo definitiva da crise dos caminhoneiros. Temer disse que h uma ao na Justia sobre a questo e que o governo vai esperar o Supremo Tribunal Federal (STF) tomar uma deciso. O presidente falou com a imprensa aps participar de almoo com lderes do Mercosul, nesta segunda-feira, em Assuno, no Paraguai.
"Ns fizemos uma grande composio com os caminhoneiros, vocs perceberam o drama que foi, e conseguimos pacificamente desmontar o movimento. Agora, se o Supremo decidir de outra maneira, ns vamos obedecer", declarou o presidente. O Cade faz duras crticas no documento criao da tabela de preos mnimos pela Medida Provisria 832, feita pelo governo federal para atender reivindicao dos caminhoneiros que paralisaram o transporte rodovirio brasileiro no fim de maio.
O conselho afirma que a tabela de frete cria uma espcie de cartel, tem graves efeitos ao consumidor, prejudica o mercado e representa uma afronta livre concorrncia. A manifestao do Cade foi feita a pedido do ministro do STF Luiz Fux, relator de aes que questionam a constitucionalidade da medida. Na sexta-feira, o Ministrio da Fazenda tambm enviou um posicionamento contrrio ao tabelamento de preos, enquanto a Advocacia Geral da Unio defendeu a medida.
Na avaliao do rgo, ao estipular um custo padro mnimo para todo o servio de frete, a Agncia Nacional de Transportes Terrestres (Antt) desconsidera as especificidades do setor, permitindo que todos os caminhoneiros autnomos e empresas que tenham custos inferiores ao determinado pela norma possam lucrar com a diferena.
Ao considerar as possveis consequncias da interveno estatal na economia, o Cade lembra que diversos planos econmicos prevendo o tabelamento de preos e a interveno direta dos mais variados tipos no foram capazes de reequilibrar fatos naturalmente dinmicos.
Segundo o Cade, esse "descompasso com a realidade pode causar srios problemas de desabastecimento, em razo de sinalizaes equivocadas". No caso especfico do transporte de cargas, a autarquia aponta os riscos de que o estabelecimento de um preo mnimo reduza a liberdade contratual entre as partes e aumente os custos ao longo de toda a cadeia produtiva, sendo, ao fim, repassado ao consumidor final. Tambm h riscos de reduo da competitividade e desistmulo inovao concorrencial, com a consequente perda de qualidade dos servios.
"Assim, o entendimento consolidado do Cade, estvel em diversas composies de seu tribunal, a de que o tabelamento de preo constitui uma infrao ordem econmica passvel de condenao", sustenta os autores do ofcio, assinado pelo presidente da autarquia, Alexandre Barreto de Souza, alm do superintendente-geral e do procurador-chefe do rgo.
O Cade tambm entende haver um risco real de que, se aprovada, a tabela gere um risco para os prprios caminhoneiros, seja ampliando o risco dos clientes optarem por assumir eles mesmos o transporte de cargas, seja por um grande nmero de caminhoneiros decidir no seguir a tabela, criando distores dentro da prpria categoria, com os cumpridores da norma perdendo em competitividade.
Tabelamento
A manifestao do Cade uma resposta ao pedido de informaes feito pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, relator das aes que questionam a resoluo da Agncia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que tabelou os preos mnimos de fretes para o transporte rodovirio.
Na quinta-feira, Fux atendeu a uma solicitao da Advocacia-Geral da Unio (AGU) e determinou a suspenso de todas as 53 aes contestatrias at que o STF julgue as trs aes de inconstitucionalidade protocoladas pela Associao do Transporte Rodovirio de Carga Do Brasil, Confederao da Agricultura e Pecuria do Brasil (CNA) e a Confederao Nacional da Indstria (CNI).
O tabelamento foi uma das reivindicaes de caminhoneiros atendidas pelo governo federal, no fim do ms passado, para tentar pr fim paralisao que durou 11 dias e afetou diversos setores da economia. Desde ento, o governo j editou duas tabelas de frete.
A primeira foi publicada no Dirio Oficial da Unio de dia 30 de maio e vigorou at 7 de junho, quando foi editada a segunda verso da tabela. Esta, no entanto, permaneceu vlida por apenas algumas horas, j que, na prtica, acabou sendo suspensa pela ANTT no mesmo dia. As duas primeiras tabelas so alvos da disputa de interesses entre caminhoneiros e representantes do setor produtivo.
De um lado, donos de transportadoras rodovirias e caminhoneiros autnomos se queixam de que os valores atualmente pagos pelo frete mal cobrem os custos das viagens, como combustvel, pedgio, alimentao e manuteno do veculo. De outro lado, empresrios de outros segmentos, principalmente o agropecurio, alegam que o estabelecimento de um valor mnimo para o frete limita a concorrncia e aumenta os custos de transporte de cargas.
A primeira verso contemplava os interesses dos caminhoneiros ainda em greve, estabelecendo um valor mnimo de frete a partir do qual os autnomos pudessem negociar com as empresas transportadoras o valor dos servios. J a segunda verso, ao reduzir o valor do frete, agradou mais ao setor produtivo.
Vamos esperar o STF decidir, diz Temer sobre tabela
O presidente Michel Temer considera que o parecer contrrio do Conselho Administrativo de Defesa Econmica (Cade) ao tabelamento do frete rodovirio, no atrapalha a resoluo definitiva da crise dos caminhoneiros. Temer disse que h uma ao na Justia sobre a questo e que o governo vai esperar o Supremo Tribunal Federal (STF) tomar uma deciso. O presidente falou com a imprensa aps participar de almoo com lderes do Mercosul, nesta segunda-feira, em Assuno, no Paraguai.
"Ns fizemos uma grande composio com os caminhoneiros, vocs perceberam o drama que foi, e conseguimos pacificamente desmontar o movimento. Agora, se o Supremo decidir de outra maneira, ns vamos obedecer", declarou o presidente. O Cade faz duras crticas no documento criao da tabela de preos mnimos pela Medida Provisria 832, feita pelo governo federal para atender reivindicao dos caminhoneiros que paralisaram o transporte rodovirio brasileiro no fim de maio.
O conselho afirma que a tabela de frete cria uma espcie de cartel, tem graves efeitos ao consumidor, prejudica o mercado e representa uma afronta livre concorrncia. A manifestao do Cade foi feita a pedido do ministro do STF Luiz Fux, relator de aes que questionam a constitucionalidade da medida. Na sexta-feira, o Ministrio da Fazenda tambm enviou um posicionamento contrrio ao tabelamento de preos, enquanto a Advocacia Geral da Unio defendeu a medida.
Fonte: Bruna Casali/JornalismoBarrilFM com informações EBC
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