Tratamento brasileiro contra HIV/Aids se consolida como referência mundial
Prática adotada pelo Sistema Único de Saúde é reconhecida pela Organização das Nações Unidas\r\n
Publicado em 17 de dezembro de 2018
Cerca de 585 mil pessoas que vivem com o vrus HIV no Pas realizam a terapia antirretroviral em unidades da rede pblica de sade. Esses pacientes encontram nesses locais uma realidade bem diferente daquela enfrentada na dcada de 1980, quando comearam a surgir os casos da doena no Brasil. Embora a primeira manifestao da Aids em um brasileiro tenha sido confirmada em 1982, apenas em 1987 o medicamento AZT comeou a ser utilizado pelos pacientes porque ajudava a evitar o enfraquecimento do sistema imunolgico.
O remdio, que inicialmente havia sido criado para combater clulas cancergenas, se tornou o principal aliado dos soropositivos. No entanto, as altas doses recomendadas causavam muitos efeitos colaterais. De 1987 at 1995, a gente fazia o tratamento baseado em uma nica droga [o AZT]. Isso no foi suficiente para reduzir a mortalidade por Aids. O medicamento prolongava a vida dos pacientes, mas infelizmente no conseguia controlar o vrus, explica Roberta Schiavon, membro do Comit de HIV/Aids da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Foi s em 1996, com o Sistema nico de Sade (SUS) j consolidado, que o Brasil estabeleceu de vez o chamado coquetel, que rene trs tipos de medicamentos. No mesmo ano, a Lei 9.313 determinou a distribuio gratuita de medicamentos aos portadores de HIV. Na dcada seguinte, o foco passou a ser a produo interna das medicaes para reduzir os custos. Em 2002, a Fundao Oswaldo Cruz comeou a produzir sete antirretrovirais que so utilizados at hoje.
Com agem os antirretrovirais?
Os medicamentos antirretrovirais para o HIV atuam no mecanismo de multiplicao do vrus, evitando que ele infecte as clulas de defesa do organismo. Desta forma, impede-se o enfraquecimento do sistema imunolgico da pessoa e o seu adoecimento. por esse motivo que o uso regular dos medicamentos imprescindvel para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e reduzir o nmero de internaes e infeces por doenas oportunistas.
As pessoas que usam os medicamentos de forma correta e adequada reduzem o nmero de vrus circulante a nveis indetectveis no organismo. Nesse estado, evidncias cientficas demonstram que alm da melhora significativa na qualidade de vida e do no adoecimento, a condio de se estar indetectvel impede a transmisso do HIV por via sexual.
Tratamento para todos
Atualmente, o tratamento para o HIV envolve a combinao de trs categorias diferentes de medicamentos e cada uma dessas categorias envolve um nmero de medicamentos. So mais de 36 combinaes diferentes aplicadas hoje em dia. A variedade de opes se d pela necessidade de adequar o tratamento ao estilo de vida do paciente. "Para um piloto de avio, por exemplo, no recomendado dar medicao baseada no Efavirenz, pois ele pode ter um surto psictico durante o trabalho. Um tcnico de enfermagem que trabalha noite pode ficar com sono e ter o desempenho comprometido. Grvidas tambm tm restries e precisam de ateno especial", diz Schiavon.
Desde 2013, todas as pessoas com o HIV, independentemente da carga viral, tm acesso ao tratamento pelo SUS. A garantia de tratamento para todos j reduziu em 16% os casos de Aids nos ltimos quatro anos, fazendo cair a taxa de deteco de 22 casos para cada 100 mil habitantes, em 2011, para 18,3 em 2017, explica a diretora do Departamento de Vigilncia, Preveno e Controle das Infeces Sexualmente Transmissveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais, Adele Benzaken.
Antes, o Brasil oferecia o tratamento pela rede pblica apenas quando a contagem das clulas de defesa (CD4) do paciente caa para abaixo do patamar de 500 clulas por milmetro cbico de sangue. A mudana foi elogiada pela Organizao das Naes Unidas e manteve o Brasil como referncia no tratamento de pacientes soropositivos. O uso regular dos ARV fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e reduzir o nmero de internaes e infeces por doenas oportunistas.
Inovao
A novidade mais recente no tratamento oferecido pelo SUS em relao ao HIV ocorreu em 2017. No ano passado, a rede pblica passou a ofertar um dos melhores antirretrovirais do mundo: o Dolutegravir. Ele j usado por 87% das pessoas que iniciam o tratamento no Brasil. Esse antirretroviral aumenta em 42% a chance de indeteco viral (carga viral indetectvel). Aps trs meses de uso do Dolutegravir, 87% das pessoas com HIV/Aids j apresentavam carga viral inferior a 50 cpias/mL. Ele usado em combinao com os antirretrovirais Tenofovir e Lamivudini no esquema chamado "2 em 1". Ou seja, apesar de serem trs compostos, esto presentes em dois comprimidos, sendo um de Dolutegravir e outro formado por Lamivudina + Tenofovir.
O remdio, que inicialmente havia sido criado para combater clulas cancergenas, se tornou o principal aliado dos soropositivos. No entanto, as altas doses recomendadas causavam muitos efeitos colaterais. De 1987 at 1995, a gente fazia o tratamento baseado em uma nica droga [o AZT]. Isso no foi suficiente para reduzir a mortalidade por Aids. O medicamento prolongava a vida dos pacientes, mas infelizmente no conseguia controlar o vrus, explica Roberta Schiavon, membro do Comit de HIV/Aids da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Foi s em 1996, com o Sistema nico de Sade (SUS) j consolidado, que o Brasil estabeleceu de vez o chamado coquetel, que rene trs tipos de medicamentos. No mesmo ano, a Lei 9.313 determinou a distribuio gratuita de medicamentos aos portadores de HIV. Na dcada seguinte, o foco passou a ser a produo interna das medicaes para reduzir os custos. Em 2002, a Fundao Oswaldo Cruz comeou a produzir sete antirretrovirais que so utilizados at hoje.
Com agem os antirretrovirais?
Os medicamentos antirretrovirais para o HIV atuam no mecanismo de multiplicao do vrus, evitando que ele infecte as clulas de defesa do organismo. Desta forma, impede-se o enfraquecimento do sistema imunolgico da pessoa e o seu adoecimento. por esse motivo que o uso regular dos medicamentos imprescindvel para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e reduzir o nmero de internaes e infeces por doenas oportunistas.
As pessoas que usam os medicamentos de forma correta e adequada reduzem o nmero de vrus circulante a nveis indetectveis no organismo. Nesse estado, evidncias cientficas demonstram que alm da melhora significativa na qualidade de vida e do no adoecimento, a condio de se estar indetectvel impede a transmisso do HIV por via sexual.
Tratamento para todos
Atualmente, o tratamento para o HIV envolve a combinao de trs categorias diferentes de medicamentos e cada uma dessas categorias envolve um nmero de medicamentos. So mais de 36 combinaes diferentes aplicadas hoje em dia. A variedade de opes se d pela necessidade de adequar o tratamento ao estilo de vida do paciente. "Para um piloto de avio, por exemplo, no recomendado dar medicao baseada no Efavirenz, pois ele pode ter um surto psictico durante o trabalho. Um tcnico de enfermagem que trabalha noite pode ficar com sono e ter o desempenho comprometido. Grvidas tambm tm restries e precisam de ateno especial", diz Schiavon.
Desde 2013, todas as pessoas com o HIV, independentemente da carga viral, tm acesso ao tratamento pelo SUS. A garantia de tratamento para todos j reduziu em 16% os casos de Aids nos ltimos quatro anos, fazendo cair a taxa de deteco de 22 casos para cada 100 mil habitantes, em 2011, para 18,3 em 2017, explica a diretora do Departamento de Vigilncia, Preveno e Controle das Infeces Sexualmente Transmissveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais, Adele Benzaken.
Antes, o Brasil oferecia o tratamento pela rede pblica apenas quando a contagem das clulas de defesa (CD4) do paciente caa para abaixo do patamar de 500 clulas por milmetro cbico de sangue. A mudana foi elogiada pela Organizao das Naes Unidas e manteve o Brasil como referncia no tratamento de pacientes soropositivos. O uso regular dos ARV fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e reduzir o nmero de internaes e infeces por doenas oportunistas.
Inovao
A novidade mais recente no tratamento oferecido pelo SUS em relao ao HIV ocorreu em 2017. No ano passado, a rede pblica passou a ofertar um dos melhores antirretrovirais do mundo: o Dolutegravir. Ele j usado por 87% das pessoas que iniciam o tratamento no Brasil. Esse antirretroviral aumenta em 42% a chance de indeteco viral (carga viral indetectvel). Aps trs meses de uso do Dolutegravir, 87% das pessoas com HIV/Aids j apresentavam carga viral inferior a 50 cpias/mL. Ele usado em combinao com os antirretrovirais Tenofovir e Lamivudini no esquema chamado "2 em 1". Ou seja, apesar de serem trs compostos, esto presentes em dois comprimidos, sendo um de Dolutegravir e outro formado por Lamivudina + Tenofovir.
Fonte: Agência Brasil
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