Um em cada três brasileiros não possui conta bancária
Devido a grande parcela de desbancarizados, economia brasileira deve demorar para reaquecer
Publicado em 18 de agosto de 2019
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva revela a existncia no Brasil de 45 milhes de desbancarizados, ou seja, brasileiros que no movimentam a conta bancria h mais de seis meses ou que optaram por no ter conta em banco. Isso significa que de cada trs brasileiros, um no possui conta bancria. De acordo com a sondagem, esse grupo movimenta anualmente no pas mais de R$ 800 bilhes.
Na avaliao do presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, a concluso evidente do levantamento que o Brasil sairia mais rpido da crise econmica se a bancarizao crescesse. " muito ruim para a economia brasileira. Ficou definido na pesquisa que os bancos que operam no pas ainda no falam com uma parcela significativa da populao e que muitas dessas pessoas que no tm conta em banco so empreendedores, entre os quais ambulantes e trabalhadores autnomos, que precisariam estar mais inseridos na economia formal.
Meirelles explicou que como essas pessoas no tm acesso ao crdito, precisam esperar at trs anos para juntar dinheiro suficiente para comprar uma geladeira, um aparelho celular ou trocar de televiso, por exemplo. Se tivessem acesso ao crdito, poderiam parcelar essas compras de modo a ter hoje esse bem. Segundo ele, isso faz a economia girar. Com essa parcela gigantesca de desbancarizados, Meirelles estimou que a economia brasileira vai demorar ainda um tempo para reaquecer.
Mulheres
Realizada em maio deste ano com 2.150 brasileiros de 16 anos ou mais em 71 cidades do pas, a pesquisa mostra que os desbancarizados representam 29% da populao adulta do Brasil. Seis em cada dez desbancarizados so mulheres, isto , a parcela feminina representa 59% do total, contra 41% de homens. Sete em cada dez, ou 69% do total consultado, so negros ou pardos, contra 29% de brancos e 2% de amarelos e indgenas. "So, em grande parte, da populao mais pobre, mais mulheres, com uma parcela maior de negros tambm", disse Meirelles. Segundo analisou, os bancos tal como atuam hoje no respondem demanda da maioria dessas pessoas, para as quais o dinheiro vivo, em espcie, mais importante.
Classes econmicas
Oitenta e seis por cento dos desbancarizados esto concentrados nas classes econmicas C, D e E, que a parcela da populao menos conectada e com maior informalidade de trabalho. Desses, 49% esto na classe mdia (C). Dos 45 milhes de desbancarizados, 58% tm apenas o ensino fundamental ou no tm instruo; 31% disseram ter recebido algum emprstimo e 45% informaram ter recorrido a familiares e 25% a amigos. Somente 24% recorreram a bancos ou financeiras para obter um financiamento ou emprstimo. Sessenta e nove por cento dos desbancarizados compram fiado, isto , deixam para pagar suas compras no final do ms e 51% confessaram j ter usado o carto de crdito emprestado de outra pessoa.
Conforme explicou Renato Meirelles, a preferncia por comprar no pequeno varejo devido ao maior desconto que essas pessoas conseguem. Muitos so ex-bancarizados que no tiveram boas experincias como clientes de bancos e no acham que o dinheiro deles est bem guardado em bancos. A respeito da movimentao financeira dessa parcela dos brasileiros, que alcana R$ 817 bilhes de reais, Meirelles brincou que " muito dinheiro para estar debaixo do colcho".
Dinheiro vivo
Em geral, essas pessoas so de baixa renda e realizam trabalhos espordicos, pelos quais preferem receber em dinheiro vivo. Do total de desbancarizados, 62% moram no interior, sendo que quase quatro em cada dez moram no Nordeste (39%). Meirelles explicou que embora o Sudeste seja a maior regio do pas em nvel populacional, no rene a maior parcela da populao desbancarizada. "Quanto mais no interior e mais no Nordeste, maior a presena da caderneta de fiado, ou caderneta de crdito que teve origem no varejo". Metade (50%) dos desbancarizados est na faixa de 16 a 34 anos, com idade mdia de 37 anos. Doze por cento, apesar de no terem conta em banco, tm carto de crdito, s vezes mais de um, enquanto 75% evitam ao mximo recorrer a bancos.
A falta de dinheiro o motivo apontado por 31% dessa fatia da populao brasileira para no ter conta em banco e 29% preferem usar dinheiro em espcie; 49% no confiam nos bancos. Renato Meirelles foi fundador e presidente do Data Favela e do Data Popular, onde conduziu diversos estudos sobre o comportamento do consumidor emergente brasileiro, atendendo s maiores empresas do Brasil. Em 2012, Renato fez parte da comisso que estudou a Nova Classe Mdia Brasileira, na Secretaria de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica.
Na avaliao do presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, a concluso evidente do levantamento que o Brasil sairia mais rpido da crise econmica se a bancarizao crescesse. " muito ruim para a economia brasileira. Ficou definido na pesquisa que os bancos que operam no pas ainda no falam com uma parcela significativa da populao e que muitas dessas pessoas que no tm conta em banco so empreendedores, entre os quais ambulantes e trabalhadores autnomos, que precisariam estar mais inseridos na economia formal.
Meirelles explicou que como essas pessoas no tm acesso ao crdito, precisam esperar at trs anos para juntar dinheiro suficiente para comprar uma geladeira, um aparelho celular ou trocar de televiso, por exemplo. Se tivessem acesso ao crdito, poderiam parcelar essas compras de modo a ter hoje esse bem. Segundo ele, isso faz a economia girar. Com essa parcela gigantesca de desbancarizados, Meirelles estimou que a economia brasileira vai demorar ainda um tempo para reaquecer.
Mulheres
Realizada em maio deste ano com 2.150 brasileiros de 16 anos ou mais em 71 cidades do pas, a pesquisa mostra que os desbancarizados representam 29% da populao adulta do Brasil. Seis em cada dez desbancarizados so mulheres, isto , a parcela feminina representa 59% do total, contra 41% de homens. Sete em cada dez, ou 69% do total consultado, so negros ou pardos, contra 29% de brancos e 2% de amarelos e indgenas. "So, em grande parte, da populao mais pobre, mais mulheres, com uma parcela maior de negros tambm", disse Meirelles. Segundo analisou, os bancos tal como atuam hoje no respondem demanda da maioria dessas pessoas, para as quais o dinheiro vivo, em espcie, mais importante.
Classes econmicas
Oitenta e seis por cento dos desbancarizados esto concentrados nas classes econmicas C, D e E, que a parcela da populao menos conectada e com maior informalidade de trabalho. Desses, 49% esto na classe mdia (C). Dos 45 milhes de desbancarizados, 58% tm apenas o ensino fundamental ou no tm instruo; 31% disseram ter recebido algum emprstimo e 45% informaram ter recorrido a familiares e 25% a amigos. Somente 24% recorreram a bancos ou financeiras para obter um financiamento ou emprstimo. Sessenta e nove por cento dos desbancarizados compram fiado, isto , deixam para pagar suas compras no final do ms e 51% confessaram j ter usado o carto de crdito emprestado de outra pessoa.
Conforme explicou Renato Meirelles, a preferncia por comprar no pequeno varejo devido ao maior desconto que essas pessoas conseguem. Muitos so ex-bancarizados que no tiveram boas experincias como clientes de bancos e no acham que o dinheiro deles est bem guardado em bancos. A respeito da movimentao financeira dessa parcela dos brasileiros, que alcana R$ 817 bilhes de reais, Meirelles brincou que " muito dinheiro para estar debaixo do colcho".
Dinheiro vivo
Em geral, essas pessoas so de baixa renda e realizam trabalhos espordicos, pelos quais preferem receber em dinheiro vivo. Do total de desbancarizados, 62% moram no interior, sendo que quase quatro em cada dez moram no Nordeste (39%). Meirelles explicou que embora o Sudeste seja a maior regio do pas em nvel populacional, no rene a maior parcela da populao desbancarizada. "Quanto mais no interior e mais no Nordeste, maior a presena da caderneta de fiado, ou caderneta de crdito que teve origem no varejo". Metade (50%) dos desbancarizados est na faixa de 16 a 34 anos, com idade mdia de 37 anos. Doze por cento, apesar de no terem conta em banco, tm carto de crdito, s vezes mais de um, enquanto 75% evitam ao mximo recorrer a bancos.
A falta de dinheiro o motivo apontado por 31% dessa fatia da populao brasileira para no ter conta em banco e 29% preferem usar dinheiro em espcie; 49% no confiam nos bancos. Renato Meirelles foi fundador e presidente do Data Favela e do Data Popular, onde conduziu diversos estudos sobre o comportamento do consumidor emergente brasileiro, atendendo s maiores empresas do Brasil. Em 2012, Renato fez parte da comisso que estudou a Nova Classe Mdia Brasileira, na Secretaria de Assuntos Estratgicos da Presidncia da Repblica.
Fonte: Bruna Casali / Jornalismo/BarrilFM com informações CorreioDoPovo
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